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Ser Mulher

Dia da Mulher Negra: conheça a importância desta data

Por Usaflex 18/07/2022

Em 25 de julho celebra-se o Dia da Mulher Negra. Você sabe o que é essa data, quando foi criada e qual a sua importância? Pois no post de hoje nós responderemos essas e outras perguntas. Confira! 

Origem do Dia da Mulher Negra 

No Brasil, o Dia da Mulher Negra foi instituído oficialmente em 2014, por meio da Lei nº 12.987/2014. Mas, antes disso, em 25 de julho já se celebrava o Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha. Esta data foi definida em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, na República Dominicana. Em terras tupiniquins, o dia 25 também é dedicado à Tereza de Benguela, uma líder quilombola do Mato Grosso que viveu no século 18

Dito tudo isso, você pode se perguntar: afinal, qual a importância do dia 25 de julho para a sociedade? É o que vamos descobrir agora!

Qual a importância o Dia da Mulher Negra?

Em 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Então, por que criar o Dia da Mulher Negra? A instituição de uma data especial é importante para lembrar e conscientizar a sociedade sobre a história e a realidade das mulheres negras no nosso país. Sabe-se que a escravidão no Brasil começou em 1535 e terminou em 1888, durando, portanto, 353 anos. Neste período, as pessoas negras não só eram submetidas ao trabalho forçado sem remuneração, mas também eram alvos de outras violências.

Elas recebiam punições fisícas, como as chibatadas nas costas e o estupro, no caso das mulheres. Mas havia ainda a violência psicológica, verbal e linguística, pois as pessoas não-brancas – no caso do Brasil, inclui-se também os índios – eram considerados seres inferiores aos brancos. Por essa razão, ouviam que seus cabelos, a cor de sua pele e seus traços (nariz e boca, principalmente) não eram bonitos. 

Vale ressaltar que os africanos escravizados que vieram ao país também perdiam o contato com a família, com a cultura, com a religião e com a língua. Eram obrigadas a professar uma fé que não era a sua e falar um idioma que não conheciam. Além disso, as pessoas negras, durante longos anos, não tiveram o direito à educação formal, à saúde, à liberdade  e à participação na vida pública e política do Brasil. 

Abolição da escravidão em 1888

Mesmo após a abolição da escravidão, em 1888, a população negra não foi amparada pelo Estado, a fim de reparar os mais de 300 anos de exploração. Assim, os negros, que em sua esmagadora maioria não sabia ler e escrever, tiveram que ir morar nas periferias e trabalhar em subempregos, que pagavam mal e não ofereciam condições adequadas. Isso sem contar no preconceito que existia, pois uma parte da sociedade ainda era contra a abolição.

No caso específico das negras, elas sacrificaram suas vidas para cuidar dos filhos e das casas dos senhores. Além de serem comercializadas e tratadas como uma propriedade, elas eram muitas vezes violentadas sexualmente por seus patrões. Após a carta de abolição ser assinada, essas mulheres continuaram presas aos trabalhos domésticos, seja na sua própria casa, cuidando dos filhos e do marido, ou na casa dos outros – geralmente pessoas brancas. Ou seja, as mulheres de cor sofreram – e continuam sofrendo – com as desigualdades raciais e de gênero. Por isso o Dia da Mulher Negra é tão importante.

As consequências do passado

Segundo dados do IBGE, 56,10% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos. Ainda de acordo com a instituição, em 2018 a média do rendimento domiciliar per capita dessas pessoas era de R$934 reais. Enquanto isso, a dos brancos era de R$1.846. No que diz respeito à pobreza, quase 33% da população negra estava abaixo da linha da pobreza, contra 15,4% dos brancos. O número de negros que vivem em extrema pobreza também é maior, representando 8,8% contra 3,6% da população branca. 

Essa desigualdade econômica tem reflexo direto em outras áreas, como a segurança. No Brasil, mais de 60% da população carcerária é composta por negros e pardos. Mas as diferenças não se limitam à economia e à segurança e se estendem à política, à justiça, à educação e à saúde. Por exemplo, as pessoas de pele preta não têm representação significativa nos poderes legislativo e executivo. Além disso, os negros são pouco presentes no judiciário (82,8% dos magistrados são brancos).

Os números também apontam para uma realidade ainda mais dura para as mulheres. Por exemplo, em média elas recebem menos da metade (44,4%) do salário dos homens brancos, que estão entre os que mais ganham no país. No campo da segurança, a situação é ainda pior. Segundo o Atlas da Violência 2020, as mulheres negras têm 64% mais chances de serem assassinadas que as mulheres brancas. 

O empoderamento por meio da moda

A desigualdade também existe no mundo da moda e da beleza e está muito associada  aos preconceitos estéticos. Isso ocorre porque, ao longo de vários anos, era considerado belo a pele branca, os cabelos lisos, os olhos claros e o nariz fino. No Brasil, por exemplo, houve uma campanha por parte do Estado de embranquecimento da população no início do século XX. Na época, acreditava-se que os brancos eram uma raça superior e, por consequência, mais bonita. 

Esse ideal de beleza, que se baseava em uma ideologia supremacista e eugênica dos séculos XIX e XX, excluía as afrodescendentes e as indígenas.  Obviamente, isso deixou marcas na cultura, de forma que a discriminação se perpetuou até o dias atuais.  Como já dissemos, muitas mulheres se submetem a procedimentos perigosos e invasivos para serem aceitas. 

Porém, após anos de luta, o cenário vem melhorando. Um exemplo disso é a quantidade de mulheres negras assumindo seus cabelos crespos e cacheados com muito orgulho. O mundo da moda também está se tornando mais diverso. Hoje, há a presença cada vez maior de estilistas e modelos pretas nas passarelas das principais semanas de moda. 

O que você pode fazer 

Você sabe o que é empoderamento feminino? Segundo o dicionário Michaelis, empoderar significa investir (se) de poder, a fim de promover ações que possam provocar mudanças positivas no grupo social. Sendo assim, o empoderamento feminino é um esforço coletivo para promover a independência das mulheres, dando-lhes mais poder político, social e econômico.

Então, busque empoderar mulheres negras – ou seja, investi-las de poder (poder econômico, político e social). Essa é uma forma de tornar a sociedade mais igualitária, justa e, consequentemente, próspera. Por isso é um trabalho coletivo que envolve a comunidade, os governos e as empresas também. 

Esse foi o nosso post sobre o Dia da Mulher Negra e sua importância para o debate social. se você gostou das informações e acha essencial que mais pessoas saibam disso, compartilhe o link nas suas redes sociais! 

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